União Cast #5
A crise são-paulina

No futebol, dentro do campo, quem manda é o técnico. É ele quem escala o time, faz substituições, cobra dos seus jogadores e é um dos principais responsáveis pela vitória e pela derrota da equipe. Todas as suas decisões implicam no comportamento do time em campo, podendo ter um resultado positivo ou negativo. E, quem faz decisões nas quais o resultado é mais positivo do que negativo, acaba se destacando. É claro o sucesso do técnico depende também da qualidade dos jogadores, mas mesmo em times em que os jogadores não são muito bons consegue-se observar o “dedo do treinador”.
Mas o técnico não é o funcionário mais alto do clube – apesar de que deve ser o comandante máximo dentro das quatro linhas. Ele está abaixo de um presidente, um conselho e uma diretoria, mas estes tem de ter o papel de gerenciar o clube, dar ao treinador e ao elenco condições de trabalho, trazer aqueles jogadores que o técnico pede, sem querer influenciar dentro de campo. Uma diretoria atenta e antenada no dia-a-dia do clube, mas sem interferir diretamente no trabalho do treinador, deixando-o trabalhar com a maior autonomia possível, mas se limitando os seus poderes ao que se refere ao jogo.
É assim que deveria ser. Mas, em alguns casos, acaba não sendo assim que as coisas funcionam. Na semana passada, o zagueiro são-paulino Paulo Miranda foi cortado pela diretoria da concentração do primeiro jogo entre São Paulo e Ponte Preta, válido pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil. Os demais jogadores, ao ver o seu companheiro saindo assim, de uma hora para outra, ficaram com a moral baixa, sendo essa uma das principais razões da derrota Tricolor para o time de Campinas.
Afastar Paulo Miranda foi uma decisão acertada. O jogador não estava jogando nada há algumas rodadas, e tinha de ser afastado. Mas, de maneira nenhuma, isso poderia acontecer da forma como aconteceu, desafiando a autoridade do treinador e logo antes de um jogo decisivo, de um campeonato que é a principal ambição são-paulina para este ano de de 2012. E o técnico Emerson Leão, que nunca gostou que sua autoridade fosse desafiada desde os tempos em que era goleiro, abaixou a cabeça e concordou com a diretoria, talvez pelo fato de estar em um momento da sua carreira no qual precisa voltar a ganhar, e brigar com a diretoria significaria sair do São Paulo e praticamente encerrar com a sua carreira. E, talvez sabendo disso, os diretores (ou seriam testas de ferro de Juvenal Juvêncio?) resolveram se aproveitar.
A situação política do Tricolor vai de mal a pior. Apesar de se dizer um “clube modelo”, e de em alguns casos ser mesmo, Juvenal Juvêncio vai cada dia mais centralizando os poderes em cima dele, e João Paulo de Jesus Lopes, vice de futebol, e Adalberto Batista, diretor de futebol, com medo de acabarem prejudicados pelo todo poderoso presidente são-paulino, acabam obedecendo fielmente ele, não havendo oposição nenhuma nas decisões. O que JJ falou, tá falado. Não importa se A, B ou C pensam diferente. E isso acaba gerando conclusões e ações precipitadas, apesar de muitas destas decisões acabarem gerando um resultado positivo.
É preciso que alguém faça oposição ao Juvenal dentro da diretoria. É preciso que alguém o faça ponderar sobre o que o outro pensa. É preciso que alguém o ensine a ouvir os outros. É preciso que a democracia volte ao São Paulo Futebol Clube.
Estatísticas de Abril
No mês de Abril, foram, ao todo:
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no Blog ARMANDO a jogada.
Agradeço o prestígio de todos.
União Cast #3
Feio é perder
Muricy Ramalho, nos seus tempos que treinava o São Paulo, adorava dizer que “quem quer ver show que vá ao teatro”, em resposta às críticas quanto ao futebol mal jogado pela equipe apesar das vitórias. E não deixa de ser verdade o que o tetra-campeão Brasileiro falava. O que vale no futebol não é o quão bonito foi o rolinho do atacante em cima do zagueiro, e muito menos a plasticidade de um gol de falta. O que vale mesmo é o resultado. E somente ele. Pouco importa a maneira pela qual o time conquistou os três pontos, e sim se ele o fez ou não.
É claro que é muito melhor de assistir um jogo em que jogadas de efeito são maioria, e as faltas e anti-jogo são minoria. Melhor ainda é se o time que joga mais bonito vence. Mas, como diria o outro “o futebol é uma caixinha de surpresas”, e, muitas vezes, uma equipe joga demais, com bons toques de bola e jogadas bonitas – e sem firula -, perde para outra que só defende, prioriza as faltas e aposta no contra-ataque como uma maneira de vencer o jogo. É uma forma de jogar feia e chata de assistir? É. Mas se o resultado vier, pouco importa se o jogo foi bonito ou não.
Os dois jogos entre Chelsea e Barcelona, válidos pela semi-final da UEFA Champions League, mostraram, mais uma vez, que o melhor nem sempre vence. O Barça é, há pelo menos 3 anos, o melhor time do Mundo. Tem os melhores jogadores e joga o melhor futebol. Não é à toa que venceu as duas últimas edições da Champions League e chegou à semi-final nesta temporada. Mas o Chelsea, que não é um time ruim, mas também não é o melhor do Mundo, venceu os espanhois na base da forte marcação, consistindo em se defender e partir para o contra-ataque quando desse. De fato, se o Barcelona vencesse iria ser mais uma vitória do futebol bem jogado, que nem sempre é o mais plástico, mas é, disparado, o melhor nos dias de hoje. E vitória dos ingleses representou uma derrota para o futebol. Mas quem disse que Lampard, Drogba e Terry se importaram se o futebol perdeu ou ganhou? Para eles e para toda a torcida do Chelsea o que realmente importava é a classificação do seu time para a final. Era isso que estava em jogo, e não quem dava mais chapéus, quem passava melhor a bola.
Por isso que o futebol é um dos esportes mais facinantes que existem. Não adianta analisar o time que tem mais gols, vitórias ou títulos – apesar destes requisitos serem muito importantes. O que vale é o momento, são os 90 minutos (ou 180) nos quais o time mais forte pode perder para um mais fraco. Nada na futebol é exato, tudo o que acontece dentro do campo é imprevisível, apesar de depender de uma série de fatores extra-campo.
Futebol é isso, surpresa a todo o instante. Azar de quem não gosta.
União Cast #2
Os 100 anos do Santos
Neste sábado (14), o Santos Futebol Clube fez 100 anos de vida e se juntou à Internacional, Flamengo, Corinthians, e tantos outros grandes clubes centenários.
No Santos jogou simplesmente o maior jogador do Mundo de todos os tempos, Pelé. Jogou também Pepe, Coutinho, Robinho, Diego, Neymar, Ganso, Zito, Serginho Chulapa, Pita, Zé Sérgio e tantos outros que honraram a camisa alvinegra. Além disso, o Santos também mostrou para o Mundo o futebol brasileiro, com inúmeras excursões na Era Pelé. Enfim, não preciso dizer o quanto este time e todos que fizeram parte dele foram importantes para a história do futebol Brasileiro.
Parabéns, Santos!!! E que venham mais 100…
União Cast #1
Esta é a primeira edição do União Cast, o podcast semanal resultante da união de Blog do Joca, Nosso Futebol Clube, Blog Futebol Planet e deste Blog ARMANDO a jogada.
Ainda há muita coisa para melhorar, e com o tempo vamos aperfeiçoando.
Aguardem
O peso de ter o Adriano no elenco

Adriano tinha tudo para ser um dos melhores jogadores do Mundo. Tinha tudo para estar entre os 20 melhores. Isso há 8 anos atrás, quando ele arrebentava na Internazionale. Era aclamado no estádio como “O Imperador”, fazia um jogo melhor que o outro. Tinha média de quase um gol por partida. Mas, depois da morte do seu pai, em 2006, seu futebol começou a cair, e isso resultou no seu retorno ao Brasil, em 2008, quando passou 6 meses emprestado para o São Paulo. E nunca mais Adriano voltou a ser o Imperador da Inter. Teve, sim, alguns lampejos, como no título Brasileiro do Flamengo, em 2009, e até no próprio São Paulo, em 2008. Mas jogar como ele jogava, nunca mais.
Adriano destruiu com a sua carreira. Tudo bem, é normal que a morte do pai abale bastante o psicológico da pessoa, e não foi diferente. Mas ele não procurou ajuda. Não foi atrás de nenhum psicólogo ou psiquiatra. Preferiu usar do álcool para afogar as suas mágoas e dores. E deixou de ser um jogador de futebol. Passou a atrasar nos treinamentos, não treinar direito e não corresponder nos jogos. Era – e ainda é – aclamado quando chega à um clube, faz mil promessas que vai melhorar e acaba do mesmo jeito: demitido e com o mercado cada dia menor.
Depois da saída do Imperador do Corinthians no mês passado restringiu ainda mais o mercado do jogador. Afinal, foi mais um clube em que ele chegou como uma grande contratação e terminou demitido por mal comportamento. O mercado dele, na realidade, só tem um clube: o Flamengo. Como se não bastasse Vágner Love, Ronaldinho Gaúcho e uma infinidade de dívidas a pagar, o rubro-negro quer a volta de Adriano, querendo fazê-lo renascer para o futebol, assim como foi em 2009, a última vez que ele jogou futebol.
Não preciso nem dizer o tamanho da bobagem que o Flamengo está cometendo ao contratar o Adriano. Jogar futebol todos sabem que ele joga, e não precisa mais provar nada à ninguém. Mas ele é doente. É um caso muito sério, que precisa ser tratado com cuidado. Ok, o Fla pode estar querendo ajudar o Adriano, mas pode acabar comprometendo todo o andamento do seu futebol. Atrasos a treinamentos, fotos com traficantes e bandidos, falta de vontade de se tratar e jogos ruins vão ser frequentes. Falta de punição aos seus atrasos e consequente racha no elenco, também. Além do fato de que são mais 500 mil reais mensais na folha salarial, que, somando com os 3 milhões do Ronaldinho e 750 mil do Vágner Love, dão mais de quatro milhões de reais por apenas três jogadores, uma quantia alta demais para um time que deve para Deus e para o Mundo.
A recuperação do Adriano só precisa da ajuda de uma pessoa: dele próprio. Não vai adiantar nada contrato de risco, de produtividade, multa por tudo quanto é coisa enquanto ele não estiver disposto a mudar a sua vida. Tudo depende dele. E parece que ele próprio não entende isso, acha que as pessoas vão fazê-lo voltar a jogar aquele futebol da Internazionale.
Quando será que o Adriano volta a jogar bem? Será que um dia volta? Tenho minhas dúvidas!




